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JONICO PRESS NEWS..
Desde: 25/07/2004      Publicadas: 17      Atualização: 01/09/2004

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 Notícias Lusófonas
  31/08/2004
  4 comentário(s)


A prostituição em Angola
Pesquisado por José Viriato
A prostituição em Angola UMA OLHADA...

A prostituição tem sido definida como acto ou efeito de prostituir ou de prostituir-se, devassidão, conjunto das prostitutas, vida desrregrada profissional.

É tida como a mais antiga profissão no mundo e seu surgimento perde-se na história. Escritos bíblicos apontam Sodoma e Gomorra, como sendo o centro de prostituição no mundo antigo. Nos tempos dos reis de Israel, babilónia, foi tida como sendo um local de fomento de práticas idólatras e de prostituição.

Hoje, ela é encarada com um meio de sobrevivência, tanto até que países como a França e Estados Unidos já legalizaram essa prática como profissão, gozando de um estatuto social e judicial.

No ano passado, em França, prostitutas fizeram greve, o que levou a paralização de sectores de produção de peso no país. Anualmente a prostituição rende ao cofre do estado francês cerca de 22 milhões de dólares.


ÍNTEGRA



Ao contrário do que muitos pensam, a prostituição em Angola tem atingido níveis muito elevados nos últimos anos. Este ofício é praticado de várias formas e por pessoas de várias camadas sociais.

Uma das principais causas de sua prática no nosso país é a pobreza. O péssimo nível de vida, ou seja, a miséria em associação com o desemprego levam muitas mulheres, jovens e senhoras a prostituirem-se.

É bem notável a escassez de emprego, principalmente para a camada mais pobre e menos intelectual. Por este facto a população feminina experimenta várias formas morais de conseguir o sustento, sendo muitas delas sem êxito.

Algumas destas mulheres têm filhos por criar, e vivem em casa de familiares que frequentemente repontam o facto de tanto ela como o filho serem um fardo em casa, devido a escassez de alimento. Outras têm irmãos e pais a quem gostariam de ajudar, mas não têm meios. Há ainda outras, cujo marido é desempregado ou, se é empregado, não ganha o suficiente para satisfazer as necessidades básicas da família.

Estas e outras situações aflitivas, tão comuns em aqui, são difíceis de aguentar para alguns, de forma que, algumas mulheres vêm na prostituição o único modo de conseguir algum dinheiro para amainar estas situações.

É de notar que não é apénas a camada pobre que incorre à este ofício, mas até mesmo jovens com situação financeira razoável. Algumas não têm um bom relacionamento paternal, e buscam prostituir-se para ferí-los. Ainda em outros casos, o dinheiro da mesada que recebem dos pais não lhes é suficiente, e para poder ter mais, envolvem-se na prostituição. São inúmeras as causas.

De referir também que há situações em que os pais da rapariga ou esposo da mulher que prostitui-se têm conhecimento de tal prática, mas consentem devido a situação financeira.

A idade média das raparigas que prostituem-se varia dos 15-25 anos e de acordo com estimativas da ADPP ( ), 15 % das raparigas começam por curiosidade e por influência de amigas.
O Mercado da prostituição onde há prática fértil é na praça Rock Santeiro, onde atinge níveis alarmantes. Existem mulheres que prostituem-se há cerca de 10 anos e que começaram com 12 anos de idade. Ainda há casos relatados por uma pesquisa feita por um programa da TPA (Nação Coragem) em que foram exibidas reportagens de casos em que na falta de dinheiro algumas raparigas fazem fiado (Kilape); outras há que recebem 50% do dinheiro antes de efectuar o trabalho e outros 50% depois.

Os preços variam entre os 100-500 Kwanzas. Com preservativo, são 350 kwanzas e sem preservativo chega a custar por volta de 500 Kwanzas; preço irrisório tendo em conta o risco de saúde envolvido.

Ainda há quem arrisca por este caminho por opção. Devido ao vício de dinheiro, vêem na prostituição um meio fácil de sustentar seu vício; há quem também entra no ramo da mais antiga profissão do mundo devido à ninfomania (irresistível desejo sexual) ( ), o que muita gente chama de vício por sexo, embora ignorem o real motivo.

No edifício do BPC (Banco de Poupança e Crédito), tem sido comum a frequência de raparigas que levam a cabo este tipo de actividade. Podem ser vistas todas as sextas feiras até domingos, a partir das 19:35 minutos até as 4 horas da manhã, o mais tardar.

Os preços praticados por estas raparigas vão desde os 500-2000 kwanzas, dependendo do cliente e do tipo de local pra onde forem. Há quem vai mais longe, colocando até preços mediante a prática sexual...

Elas têm aquele à quem chamam de "costas" (abreviatura de guarda-costas) que as protege durante a noite de pessoas mal intencionadas (que nesse caso são clientes que não pagam o devido depois de efectuado o "trabalho"). O "Durão" ou "Baga" é o chefe ou o patrão delas que dita os preços e arranja os clientes ou locais seguros para elas. No fim de uma noite de serviço, elas entregam as somas ao Baga, que divide por cada uma, de acordo com o desempenho que cada uma teve.

As mais jovens que querem iniciar-se neste tipo de prática, são analizadas pelo Baga. Forçosamente, antes de irem para as ruas, várias vezes têm relações com o Baga e são examinadas na maior parte das vezes por ginecologistas; de acordo com a pesquisa efectuada pela ADPP e Save the Childreen (ONG’s).

Estima-se que as áreas de trabalho estejam divididas em zonas. Ou seja, são territórios ocupados por grupos, muitas vezes armados, e cada zona tem seu Baga. Ninguém deve trabalhar numa área que não corresponde à sua jurisdição, sob o risco de ser banido ou até mesmo perder seu dinheiro.

No mês passado, a polícia nacional prendeu cerca de 6 membros de grupos de zonas de prostituição que actuavam nas áreas da samba, Marginal e Cazenga-Sul.( )

A problemática da prostituição não fica por aqui. Têm sido notáveis a expansão dessa prática para idades muito pequenas (12 anos), aumentando os casos de pedofilia, muito comum nas áreas do calçadão e ponto final (ilha de Luanda).

A prostituição mais comum é a verificada por raparigas e mulheres, mas tem sido observado também a proliferação de práticas pedofílicas entre rapazes dos 9-25 anos de idade. Embora tem-se ouvido exporádicamente nos meios de comunicação de casos em que crianças foram violadas por pais, vizinhos, desconhecidos, em fim, tem sido uma prática assumida nos botequins e pousadas, nas áreas da Samba, Cazenga, edifício do BPC e Ponto Final, na Ilha de Luanda.

Ainda há pouca informação disponível sobre a pedofilia no noso território, mas sabe-se que adultos entre os 30-60 anos de idade são os principais clientes de tais rapazes que denominam-se "fulos".

Sabe-se também que a prostituição tem abrangido também Homossexuais que recorrem à esta prática como escape. Assim, pode-se dizer sem margem de dúvidas que a prostituição não abrange somente a prática sexual no seio femenino, atinge também o sexo masculino, embora, como já foi referido atrás, haja pouca informação disponível no momento.

A polícia nacional tem pouco desenvolvido o sector de tráfico sexual, alegando falta de verba por parte vinda do OGE (Orçamento Geral do Estado).( ) Tem também sido pouco notável o engajamento no combate dessas práticas, tanto por parte da polícia nacional, como por parte da população em geral, devido a falta de informação sobre o assunto.





LOCAIS USADOS




Os principais locais onde se verifica a prática de prostituição feminina, pedofilia e prostiuição masculina são:

- Ponto Final (Ilha de Luanda)
- Edifífio do BPC
- Ilha do Cabo
- Rock Santeiro
- Hotel Trópico
- Hotel Tivolí
- Imediações do Hotel Marinha
- Praça dos Trapalhões (Ilha de Luanda)
- Bairro Operário
- Imediações do Jornal de Angola
- Coqueiros
- Pousada "O sucesso"- Maianga
- Motel Sunset - Samba




FALANDO DE "PROSTITUIÇÃO DE LUXO"...

Ela é práticada nas imediações do kinaxixe e centro da cidade, verificando-se até mesmo o aluguér de quartos em pensões e hoteis para tais práticas.

No Hotel Trópico, segundo pesquisas pessoais, o preço varia entre 1.000- 8.000 kwanzas por noite. O dito "serviço completo" (que inclui um quarto a disposição e a satisfação de todas as vontades do cliente) ronda por volta dos 20.000 kwanzas, há também descontos, se for pago em divisas.

Nos bares e discotecas mais conhecidas na cidade, a prostituição de luxo atinge níveis altos, verificando-se que por volta de 40% das raparigas que frequentam estes locais vão a procura de clientes, de acordo com o Jornal de Angola de 07/02/2004.

Nas imediações do Jornal de Angola, o preço varia entre 400-500 kwanzas, por ser de baixa qualidade e pouca segurança, visto que as raparigas não têm Baga e a zona não é ainda "patrulhada" por grupos.

No Bairro Operário, tem a casa da famosa "Tia Fina" onde se atendem por volta de 3 ou 4 clientes por dia.

De salientar que muitas delas têm namorados e seus familiares não têm conhecimento de tais práticas. Algumas justificam dizendo que trabalham em roulloutes, restaurantes, etc. Há também as mais ousadas que prostituem-se de dia, disfarçando-se de Kinguilas.

A maioria alega fumar ou drogar-se. As drogas mais consumidas são a Cocaína, Liamba, há consumo de Êxtase, uma droga muito consumida nas discotecas de Luanda, associada com álcool, geralmente Scott Wiscky e Martini.

Muitas delas conseguem casar, outras há que conseguem abandonar a profissão, mas como tudo na vida, restam as sequelas de uma juventude mal usada e provávelmente Infecções de Transmissão Sexual ( ), muitas das vezes sem cura ou com sequelas danosas para uma vida a dois.

Dependendo de sua vestimenta, são fácilmente identificadas. Já outras passam despercebidas aos olhares menos observadores. A única protecção é o preservativo. Se o cliente não tiver camisinha, elas têm por precaução. Se mesmo assim o cliente não aceitar usá-la, então não há sexo. Se insistir, entram os costas. É assim que funciona.


FECHANDO...

Embora alguns países desenvolvidos tenham legalizado a prostituição como profissão aceitável, rendendo alguns milhões aos cofres estaduais, é bem notável que essa prática continua sendo moralmente degradante e funcionando como indicador de debilidade social.

Práticas como essa, levam ao aumento do tráfico de menores em países em desenvolvimento, a decadência dos valores morais, aumento de doenças de transmissão sexual, e como não podia deixar de ser, alguns milhões no bolso dos beneficiarios finais e aproveitadores.

Resumindo, não é com práticas depravadas como estas que iremos construír sociedades compostas por pessoas que respeitam-se mutuamente, visto que muitas delas nem sequer têm respeito por seus próprios corpos.

Não me assumo como alguém preconceituoso. Julgo ser opção das pessoas fazerem o que bem entenderem com suas vidas, desde que não prejudiquem outros. Há muito dinheiro em jogo e o mundo da prostituição é mais obscuro do que se pensa. Nele, quem tem dinheiro tem, e quem pode manda.

Mas mesmo assim, não deixa de ser uma prática que deve ser reprovada por todos, para o bem dos valores morais que já escasseiam na nossa urbe.


  Autor:   JOSÉ VIRIATO & GILBERTO CAMBALA





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